segunda-feira, 27 de junho de 2011

Octávio Paz, uma vez mais...


"A linguagem indica, representa; o poema não explica nem representa: apresenta. Não alude à realidade; pretende - e às vezes consegue - recriá-la. Portanto, a poesia é um penetrar, um estar ou ser na realidade".


Octávio Paz in Signos em Rotação.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Georges Bataille




"a sorte dos amantes é o mal (o desequilíbrio) a que o amor físico os obriga. são condenados, sem fim, a arruinar a harmonia entre eles, a combater na noite. pelo preço de um combate, pelas chagas que fazem um ao outro é que se unem...o amor só tem por objeto o risco, e só ele, o risco, força para amar."

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Eis o tempo

Salvador Dalí



Eis o tempo. O tempo em que a ponta do lápis simpatiza com a ponta dos olhos; quando o coração bombeia a verve e o sonho circula ralo e alegre até o halo incandescente do cérebro. Decerto, trata-se de um momento único no extraordinário segundo em que os dedos contemplam o que a imaginação sorrateiramente tece junto à insone semente da voz; chegando a vez dos ouvidos testemunhando a labareda de um alarido que se ergue em frenesi até a prece pavimentada no céu, quando o impossível desvencilha-se de seu véu vislumbrando o invisível.


by Gabriel Nogueira Ferreira

sexta-feira, 18 de março de 2011

poema sem título

Começo a sentir a fragrância do silêncio
que advém das ruas
impregnando-se
junto aos aromas
que se exalam de minhas
insones palavras.

Na estante
os livros são pássaros
alongando suas delgadas asas.

Entre as altivas nuvens
que permeiam minha mente
almeja-se
o anjo supersônico de Murilo Mendes.

Daqui de dentro
consigo ouvir a sinfonia dos grilos
ecoando
no estômago obscuro
e argiloso
da noite.

De um galho
a lua despencou e se eclodiu
no fundo de meu quintal.

Houve um grande estrondo.

Morri afogado
na luz.


Gabriel Nogueira Ferreira
Santa Helena de Minas
17-03-2011

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Nietzsche, a poesia e o poeta.


"A esfera da poesia não se encontra fora do mundo, qual fantástica impossibilidade de um cérebro de poeta: ela quer ser exatamente o oposto, a indisfarçada expressão da verdade, e precisa, justamente por isso, despir-se do atavio mendaz daquela pretensa realidade do homem civilizado" (...) "O homem só é poeta porque se vê cercado de figuras que vivem e atuam diante dele e em cujo ser mais íntimo seu olhar penetra".



Trecho de O Nascimento da Tragédia.
Pensando neste trecho:
Escrever poesia. O que está em jogo, quando a mão se prepara para rasgar o vazio? Quando as palavras se alastram no labirinto dos ouvidos e no balbuciar dos lábios, para que mais tarde, tolda o silêncio? E essa voz que ressoa do íntimo? Que voz é essa que se desprega? Que promove o próprio som? E assim, a tinta risca o risco desta estranha invocação...
Gabriel Nogueira Ferreira

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Lord Byron



"Há um tal prazer nos bosques inexplorados;
Há uma tal beleza na solitária praia;
Há uma sociedade que ninguém invade,
perto do mar profundo
e da música do seu bramir:
Não que ame menos o homem,
mas amo mais a Natureza".